Durante a pandemia, a sobrecarga determinada às mulheres pela estrutura patriarcal em que vivemos ficou ainda mais evidente. Tem sido ainda mais difícil para as mulheres que são mães.

Muitas manas que tem que se dividir entre as atividades domésticas, o cuidado dos filhos, o home office (a grande maioria continuou trabalhando de casa), o home school e etc., com uma rede de apoio reduzida ou inexistente por causa do isolamento, tem relatado como essa sobrecarga parece cada vez mais massacrante.

Nesses momentos precisamos repensar a estrutura que vivemos.

As mulheres conquistaram há algum tempo a igualdade formal (aquela escrita na lei), mas na substância (igualdade material, aquela do dia a dia) essa igualdade não se estabelece.

Sobre nós recaem muitas responsabilidades, das quais a grande maioria pode e deve ser compartilhada pelos homens, do contrário seguiremos sem alcançar a igualdade material, já que com essa sobrecarga nossa luta se fragiliza, somos humanas, cansamos (talvez seja isso que o patriarcado quer).

Essa foto representa como é tentar trabalhar em casa, sendo mãe e sendo mulher.

E os dias seguem assim, com cansaço, lutas e combate. Muitas de nós são chamadas de guerreiras, mas isso só romantiza essa sobrecarga.

Eu tenho andado cansada, acho justo me sentir assim e querer descanso. Não deixei de amar meu filho e minha filha, não deixei de amar minha casa, ou mesmo minha família porque estou cansada.

Quero apenas a partilha necessária e indispensável de homens e mulheres nos cuidados da família e do lar, porque a decisão é conjunta, então as responsabilidades devem ser também.

Um dia depois do Dia Internacional da Igualdade Feminina quero dizer que o caminho é longo e a estrada cheia de obstáculos, o patriarcado ainda segue firme e nos massacra.

Mas, vamos todes juntes nessa luta que não é só das mulheres. Você homem tem uma responsabilidade essencial nesse combate, repense suas atitudes, seus pseudo elogios e de que forma esse machismo também te machuca.

A possibilidade de um mundo melhor e com mais igualdade passa por sua participação, os homens fazem parte dessa construção também, a luta feminina e feminista inclui vocês no combate e nas conquistas.

PS: Enquanto escrevia o texto a Alice cansou do computador de brinquedo e me chamou pra jogar bola com ela, então eu vou lá!!

Jaira Ruama Oliveira de Sousa Vieira*

 

*Feminista, Servidora Pública, Professora do Ensino Fundamental e Superior, formada em Direito e em Pedagogia, Especialista em Metodologia do Ensino Superior, Pesquisadora em Educação para os Direitos Humanos e Cidadania, ativista nas questões de gênero e igualdade e colunista do Blog Mulher na Bolsa.